top of page

Infância, alimentação e telas em debate

Foto do escritor: Patricia Vieira e Maria Clara Vieira
Patricia Vieira e Maria Clara Vieira
20 de ago.
4 min de leitura

Profissionais do Espaço Serivê participaram de grupo de estudos sobre alimentação e abordaram o papel da família e das telas no comportamento alimentar de crianças e adolescentes. Veja o que foi discutido!


No dia 5 de agosto, a psicanalista e psicopedagoga Patrícia Vieira e a nutricionista Maria Clara Vieira Paschoal, do Espaço Serivê, participaram de um encontro do Geosca, grupo de estudos dedicado à comensalidade e às diferentes formas de comer junto em diferentes populações e culturas.

O grupo reúne profissionais de áreas diversas para discutir a alimentação sob diferentes perspectivas. Na oportunidade, as profissionais falaram sobre a comensalidade na infância e na adolescência em tempos de telas. A seguir, Maria Clara conta como foi a experiência e os principais pontos discutidos no encontro. Antes disso, confira seu breve currículo:

  • Maria Clara Vieira Paschoal – Nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo, com atuação focada na área materno-infantil. Pós-graduada em Nutrição Clínica Materno Infantil pelo ICr HCFMUSP e em Nutrição em Oncologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein, atualmente é mestranda em Pediatria pelo HCFMUSP.


  • Atua como nutricionista clínica em consultório particular e é voluntária no Instituto da Criança e do Adolescente do HCFMUSP, além de atender a Seleção Brasileira de Futsal Down. Possui cursos de aprimoramento em Terapia Nutricional na Síndrome de Down, dificuldades alimentares no TEA e capacitação em atendimento nutricional no atleta pediátrico, incluindo formação na Academia Clínica Espregueira, em Portugal.

  • Entre suas contribuições acadêmicas, publicou o resumo científico Comparação do perfil nutricional das papinhas industrializadas para crianças de 6 a 7 meses na 2ª edição do Congresso Europeu de Nutrição Materno Infantil.

Para facilitar sua leitura, organizamos nosso texto nos seguintes tópicos:

Boa leitura!

 


Criança comendo em frente à tela. Foto Magnific.
O exemplo começa em casa: refeições sem telas fortalecem os vínculos familiares e ajudam a criança a reconhecer os próprios sinais de fome e saciedade.

Um encontro de diferentes olhares sobre a alimentação

O Geosca reúne profissionais de diferentes áreas que estudam a alimentação e a comensalidade. Entre os participantes estão historiadores, psicanalistas, psicólogos, profissionais da gastronomia e da sociologia, além de Maria Clara, que era a única nutricionista naquela aula.

“É um grupo que fala sobre o comer junto, a indústria alimentícia, a nutrição e a alimentação a partir de diferentes áreas. Cerca de 30 pessoas participaram desse encontro, além de alguns profissionais convidados de fora, todos com estudos relacionados à alimentação e à comensalidade”, conta Maria Clara.

O encontro não foi direcionado a pais ou ao público leigo, mas a profissionais que já pesquisam o tema. “Eles tinham muito conhecimento para compartilhar sobre a comensalidade e sobre a alimentação infantil, mas não necessariamente sobre comportamento alimentar. Por isso, trabalhamos bastante a questão da orientação parental”, explica.

O papel da família na construção dos hábitos alimentares

Durante a palestra, Patrícia e Maria Clara abordaram a influência da família na formação dos comportamentos alimentares na infância e na adolescência. Para Maria Clara, a presença das telas durante as refeições interfere na atenção da criança aos próprios sinais de fome e saciedade.

“Quando usamos uma tela, ela prende muito a nossa atenção. O cérebro não consegue prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo e passa a se concentrar no dispositivo. Com isso, a criança pode comer sem perceber os sinais de fome e saciedade, aumentando o consumo de alimentos, principalmente os ultraprocessados, que são mais palatáveis”, explica.

Conforme explica, esse comportamento também pode favorecer o comer emocional. Por isso, a família tem papel importante na construção de referências positivas. “A principal função dos pais é serem exemplo para os filhos. A criança aprende os comportamentos alimentares com alguém, e é importante que esse aprendizado aconteça também dentro da família.”

A nutricionista também apresentou o conceito de divisão de responsabilidades na alimentação. Aos pais cabe definir o que será oferecido, onde e quando a refeição acontecerá, além de proporcionar um ambiente adequado. À criança cabe decidir se vai comer o que foi oferecido e em qual quantidade. “É responsabilidade dos pais garantir uma alimentação de qualidade e diversificada, em um ambiente respeitoso e, de preferência, à mesa e sem telas. A criança deve entender e escolher se vai comer e a quantidade que vai consumir.”

Redes sociais e os riscos para o comportamento alimentar

A influência das redes sociais sobre o comportamento alimentar de crianças e adolescentes também foi discutida durante o encontro. Maria Clara chama atenção para trends que podem estimular comportamentos alimentares prejudiciais, especialmente entre adolescentes.

“Hoje, principalmente o público adolescente, que consome muito as redes sociais, acaba repetindo comportamentos inadequados que aparecem nessas trends. Há, por exemplo, conteúdos de ‘o que eu como em um dia’, geralmente protagonizados por mulheres magras que mostram uma alimentação com restrição de calorias e nutrientes. Para uma adolescente, aquilo pode parecer interessante e funcionar como um gatilho para o desenvolvimento de transtornos alimentares”, afirma.

Ela também cita vídeos que incentivam o consumo exagerado de alimentos altamente palatáveis. “Existe outra tendência de comer uma quantidade absurda de determinado alimento em pouco tempo, como vários donuts em dez minutos. Esse tipo de comportamento pode ser um fator de risco para compulsão alimentar e obesidade.”

Nesse contexto, a família foi apontada como um importante espaço para mudanças nos hábitos alimentares. A recomendação discutida no encontro foi reduzir a presença das telas e criar oportunidades para que as crianças tenham contato com os alimentos. “Levar a criança à feira, ao mercado ou ao hortifrúti para conhecer os alimentos e envolvê-la no preparo das refeições são atitudes que ampliam o repertório alimentar e ajudam a construir uma boa relação com a comida.”


Adolescente comendo em frente ao notebook. Foto: Magnific.
Quando a tela domina a atenção, a comida fica em segundo plano — e os riscos para o comportamento alimentar aumentam, especialmente na adolescência.


Conclusão

A participação no grupo de estudos proporcionou uma troca importante entre profissionais que pesquisam a alimentação por diferentes perspectivas. No Espaço Serivê, Patrícia Vieira e Maria Clara Vieira Paschoal também desenvolvem um trabalho voltado ao desenvolvimento infantil e ao comportamento alimentar.

Entre em contato, clicando aqui, para conhecer esse trabalho.

 

LEIA TAMBÉM EM NOSSO BLOG

 
 
 

Comentários


  • Whatsapp
  • Instagram

© 2025 por Patricia e Maria

bottom of page