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Como tornar a volta às aulas mais tranquila para crianças e adolescentes

  • Foto do escritor: Patricia Vieira e Maria Clara Vieira
    Patricia Vieira e Maria Clara Vieira
  • 18 de fev.
  • 5 min de leitura

Lendo este artigo, você entende as raízes da ansiedade de separação e aprende estratégias para tornar a adaptação à escola mais leve para toda a família. Saiba mais!


Começar o ano letivo com confiança faz toda a diferença para crianças e adolescentes.
Começar o ano letivo com confiança faz toda a diferença para crianças e adolescentes.


A volta às aulas é sempre um período de transição intensa, não apenas na rotina, mas também no campo emocional das famílias. Depois de semanas de brincadeiras, tempo livre e convivência próxima com os pais, crianças e adolescentes retomam uma dinâmica marcada por horários, novas demandas e ambientes sociais que podem despertar inseguranças.

Nesse sentido, é comum que surjam comportamentos como irritação, alterações no sono, sintomas físicos ou sinais de ansiedade, especialmente diante de novos professores, colegas e desafios escolares.

Compreender as raízes dessas reações é fundamental para que pais e responsáveis possam acolher e orientar seus filhos com segurança. Neste artigo, Patricia Vieira, profissional do Espaço Serivê, aprofunda esse processo e apresenta estratégias práticas para tornar o retorno escolar mais leve e emocionalmente mais seguro para todos. Confira seu breve currículo:

  • Patricia Vieira – Pedagoga formada pela PUC-SP, psicopedagoga pelo Instituto Sedes Sapientiae e psicanalista, membro efetivo do Departamento de Formação em Psicanálise do mesmo instituto.

  • Pós-graduada em Transtornos Alimentares pelo Instituto ESPE, Patricia também é organizadora do livro Medicação e medicalização e coautora de A escola para todos e para cada um e Campos clínicos, educacional e social: o pensamento de Silvia Bleichmar.

  • Atua como psicanalista clínica, supervisora clínica em psicanálise e professora do primeiro ano do curso Fundamentos da Psicanálise e sua Prática Clínica do Departamento de Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

 

Para tornar sua leitura mais fluida e agradável, dividimos nosso texto nos seguintes tópicos:

 

Aproveite o conteúdo!

Ansiedade de separação: o que pode acontecer com as crianças na volta às aulas

Quando fevereiro chega, não é só o calendário escolar que muda, a dinâmica emocional das famílias também. Patricia explica que o retorno às aulas costuma mobilizar um certo grau de ansiedade tanto nos pais quanto nas crianças.

Isso porque o início do ano traz uma combinação intensa para os pequenos: novos amigos, novos professores e uma rotina completamente diferente da vivida durante as férias.

“Em dezembro e janeiro, as crianças desfrutam do tempo livre, sem pressa, com brincadeiras e, principalmente, com a companhia dos pais e amigos. Retornar aos horários marcados e à agitação do dia a dia pode representar um grande desafio.”

Segundo Patricia, os sinais de que essa transição está acontecendo aparecem de formas distintas conforme a idade. “Entre os menores, é comum observar comportamentos mais irritadiços, mudanças de humor, escapes de xixi, pesadelos e dificuldade para dormir. Já os mais velhos conseguem verbalizar melhor aquilo que sentem e costumam mencionar medo ou ansiedade diante dos novos desafios pedagógicos e sociais. Também podem surgir sintomas momentâneos, como roer unhas, tiques e alterações de apetite”, observa.



Menina escrevendo no caderno para ilustrar texto sobre volta às aulas. Imagem: Freepik
Ansiedade de separação? Transforme o retorno à escola em aprendizado e segurança.

 

Como as primeiras separações moldam as emoções do início do ano letivo

Patricia reconhece que a palavra ansiedade está em todos os lugares hoje, mas lembra que, no contexto da volta às aulas, ela tem um sentido muito particular.

“O objeto de amor primordial está na figura da função materna, que cuida desse pequeno ser no sentido mais amplo que a palavra cuidar pode ter.”

Ela explica que, aos poucos, esse vínculo tão íntimo começa a ser atravessado por pequenas separações naturais: os intervalos da amamentação, o final da licença-maternidade, os primeiros momentos em que mãe e bebê não estão juntos o tempo todo. São separações necessárias, fundamentais para o desenvolvimento, mas profundamente sentidas pelo bebê.

“Tais situações, que não estão sob seu controle, são vivenciadas com um desconforto interno que chamamos de ansiedade.”

Para Patricia, a ansiedade aparece quando algo no mundo externo se altera e o pequeno sente internamente como se fosse uma ameaça. Diante disso, a criança (e até o adolescente) cria estratégias para tentar recuperar o equilíbrio, e aí surgem os comportamentos mencionados anteriormente: irritação, resistência, sintomas físicos, medos intensos.

Ela lembra de uma cena cotidiana, frequentemente presenciada por qualquer adulto que conviva com um bebê. “Quem nunca viu um bebê jogar longe um objeto e depois ficar feliz quando o encontra?”.

Segundo Patricia, essa brincadeira simples é, na verdade, um dos primeiros exercícios para lidar com a ansiedade de separação. “Num primeiro momento, o bebê sofre passivamente o afastamento da mãe do seu campo visual; depois, com o brinquedo, ele ensaia a mesma situação, mas agora no controle da cena, podendo afastar e reencontrar o objeto quando quiser.”

Essa dinâmica, que começa no berço, evolui ao longo da infância. A cada nova experiência, como a entrada no berçário, o fim da amamentação, o retorno da mãe ao trabalho e o início das aulas, essa sensação de ameaça pode ser reativada, ainda que de maneira diferente conforme a idade.

“O que começa com o afastamento da mãe do campo visual do bebê vai caminhando para outras vivências onde essa ameaça e esse desconforto estão presentes.”

Desse modo, a volta às aulas se apresenta como mais uma etapa natural nesse percurso, capaz de despertar novamente aquilo que foi vivido lá no começo da vida.

 

6 dicas para apoiar crianças e adolescentes na adaptação escolar

Como mostramos, o início do ano letivo costuma reacender emoções profundas, e, muitas vezes, pouco nomeadas, nas crianças e também nos adultos. A mudança brusca de rotina, a separação após semanas de convivência intensa e a entrada em novos ambientes despertam inseguranças que têm origem lá nas primeiras experiências de afastamento da figura de cuidado.

Entender esse processo é fundamental para que a família possa acolher, orientar e construir um caminho mais suave nesse retorno à escola.

Veja as dicas de Patricia, que ajudam a transformar esse período em um momento de crescimento, e não apenas de tensão:

 

#1. Explique a nova rotina de forma clara e simples

Tenha uma conversa adequada à faixa etária da criança, explicando a nova rotina de maneira concreta, objetiva e compreensível.

 

#2. Introduza materiais e uniformes aos poucos

Apresente os materiais e uniformes escolares gradualmente, nem com antecedência exagerada, nem em cima da hora.

 

#3. Estabeleça rotina e previsibilidade para os menores

Com crianças pequenas, organize a rotina antecipando o que vai acontecer, diga quem irá buscá-las e respeite os horários e combinados definidos pela escola.

 

#4. Evite despedidas longas e saídas escondidas

Nada de despedidas prolongadas ou “fugidas” inesperadas. Fique apenas o tempo necessário para a adaptação.

 

#5. Seja direto com adolescentes

Com eles, o papo deve ser reto. Evite o “blá blá blá”, pois discursos longos se perdem. Deixe claro o que esperam dele ao longo do ano e o que ele pode esperar dos pais.

 

#6. Reforce a confiança na escola e nos profissionais

Demonstre constantemente o respeito e a confiança que a família tem na instituição e na equipe que cuida da criança.

 

Conclusão

A ansiedade faz parte da vida e costuma surgir sempre que algo escapa ao nosso controle. Na infância, o que ajuda a suavizar esse desconforto é a sensação de que existe um adulto disponível, presente e comprometido com o bem-estar da criança. Quando a família acolhe, orienta e enfrenta junto aquilo que causa tensão, os sintomas tendem a diminuir com o tempo.

Ainda assim, é importante observar a duração e a intensidade desses sinais. Caso se prolonguem ou impeçam a criança de seguir sua rotina, buscar orientação especializada é o melhor caminho.

Com apoio, diálogo e presença afetiva, a volta às aulas deixa de ser um desafio solitário e se transforma em um momento de fortalecimento emocional.

 

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